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22 de Outubro de 2017

Extintor deixa de ser obrigatório em carros que circulam no Brasil

Depois da correria e dos preços superfaturados, a inutilidade da medida foi aceita.

Nadir Tarabori, Advogado
Publicado por Nadir Tarabori
há 2 anos

Extintor deixa de ser obrigatrio em carros que circulam no Brasil

Depois de o Contran (Conselho Nacional de Trânsito) determinar que carros com mais de dez anos de uso deveriam trocar de extintor (de BC para ABC), no começo deste ano, o órgão decidiu, nesta quinta-feira (17), que não será mais obrigatório ter o equipamento nos veículos que circulam no Brasil.

A medida passa a valer a partir do momento em que a decisão aparecer no Diário Oficial da União, algo que deve acontecer entre esta sexta (18) e segunda (21).

Com isso, o uso será opcional para carros, utilitários, camionetas, caminhonetes e triciclos de cabine fechada. Até então, rodar sem extintor ou com ele vencido era considerado infração média, com multa de R$ 127,69 e cinco pontos na CNH (Carteira Nacional de Habilitação). Essa medida que obrigava o uso do equipamento foi estabelecida em 1968 e passou a vigorar em 1970.

O Contran havia adiado para outubro a exigência de troca do item pelo tipo ABC (carros produzidos desde 2005 já contêm esse tipo de equipamento). Por conta disso, houve correria nas lojas e denúncias de alta nos preços.

Segundo o presidente do Contran e diretor do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), Alberto Angerami, a prorrogação teve como objetivo dar prazo para reuniões com os setores envolvidos. "Tivemos encontros com representantes dos fabricantes de extintores, corpo de bombeiros e da indústria automobilística, que resultaram na decisão de tornar opcional o uso do extintor", explica o executivo.

Dos fabricantes, o Denatran ouviu que era necessário um prazo maior, de cerca de três a quatro anos, para atender a demanda. Porém, segundo o presidente Angerami, essa justificativa era dada pelas empresas há 11 anos.

Quase inútil

A AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva) informou que dos dois milhões de acidentes em veículos cobertos por seguros, apenas 800 tiveram incêndio como causa. Desse total, somente 24 informaram que usaram o extintor, o equivalente a apenas 3%.

Além disso, estudos realizados pelo Denatran constataram que as inovações tecnológicas introduzidas nos veículos nos últimos anos resultaram em maior segurança contra incêndio. Entre as quais, o corte automático de combustível em caso de colisão, localização do tanque de combustível fora do habitáculo dos passageiros e baixa flamabilidade de materiais e revestimentos, entre outras.

Fonte: UOL

65 Comentários

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A mesma situação ocorreu em 1999 com o Kit de primeiros socorros, se cria um alvoroço, um corre corre, como se o mundo fosse acabar, para mais tarde, reconhecer que não serviu para nada ou para quase nada...

Um dica, seria de grande ajuda, colocar uma ordem lógica nas coisas, ou seja, façam um estudo detalhado da REAL NECESSIDADE e depois editem a Lei, e não ao contrário. continuar lendo

Sr Odinei

O Sr está partindo de um paradigma otimista: eles estão tentando acertar, mas por meio de medidas autoritárias e pouco pensadas.

Uma outra possibilidade seria, os nossos representantes estarem divididos entre dois grandes grupos de interesse: fabricantes de autos (querem o mínimo de obrigações para reduzir custos e questões logísticas) e os fabricantes de extintores (querem que seu produto seja obrigatório em mais situações, e, claro, os modelos mais caros).

Felizmente o grupo dos autos venceu esta batalha, pois realmente não vejo muita utilidade no extintor usado por pessoas não preparadas para enfrentar a situação. continuar lendo

Excelente comentário, contudo uma decisão polêmica,e que ao meu ver foi tomada na hora errada, senão vejamos:

É notório que o país passa por grave crise econômica, e uma decisão nesse estirpe ira causar um número ainda mais de desemprego, é que, tendo sido ventilada essa ideia da obrigatoriedade do uso de extintores, as empresas do ramo, afim de suprir a alta demanda que iria aparecer, investiram nas compras de equipamentos e contratação de funcionários. O mesmo aconteceu nas lojas especializadas na venda de extintores exclusivamente de carros, muito comum nas grandes cidades.

Note-se que duas coisas ainda pesaram para o alto investimento dos empresários e comerciantes, a até então obrigatoriedade da lei combinada com a proximidade das férias de final de ano, onde conforme cediço muitos motoristas fazem o check-up e nos veículos antes de pegarem estrada.

Agora, com a revogação total da lei, os empresários e comerciantes, ficaram com um elefante branco na mão, o que causará uma serie de desempregos e fechamento de lojas, pois é nítido que a venda despencara e os custos não serão reparados.

Penso que adiar essa lei por mais 1 ou 2 anos até que o país se reencontre não faria tanto mal, pois apesar de sermos obrigados a gastar R$ 100,00 / R$ 200,00 com a compra do novo extintor, o prejuízo não seria o fim do mundo - como possivelmente será com o elevado desemprego de quem fabrica e vende extintores (principalmente os que trabalham exclusivamente com os automotivos).

Agora é torcer para que os empresários e comerciantes do setor e seus familiares consigam achar uma alternativa para o desemprego que irá bater em suas portas.

Att.

Alessandro. continuar lendo

Sr Alessandro

Este é o problema de um Estado intervencionista.

Para começar a demanda pelos novos extintores não deveria ter sido anabolizada. No começo do ano o tal extintor estava em falta e onde se encontrava estava a preços extorsivos (você pagava aquela bronca quando/se encontrasse para não ser multado quando a lei entrasse em vigor).

Este movimento foi artificialmente criado pelo Estado que deturpou as regras do mercado criando uma demanda artificial em que as pessoas foram coagidas a adquirir um produto que não desejavam.

Isto sempre acontece com o intervencionismo: conforme as forças dos grupos de interesse ganham ou perdem espaço, as regras vão se ajustando à conjuntura e criando instabilidade jurídica e econômica. continuar lendo

Olá;
muitos pontos de vistas foram abordados e vejo opiniões em todos os sentidos, mas o que mais me preocupa é essa pena do Sistema financeiro "capitalista".
Comentários que apontam para uma crise na indústria de extintores e favorecimento da automobilística não são coerentes.
A indústria automobilistica vai reduzir seus custos e consequentemente vai ter mais recursos parta sobreviver a crise, em contrapartida o comerciante de extintor vai vender qualquer outra coisa e seu fabricante vai continuar a produzir porque o extintor ainda vai ser usado em carros, como opcional, e os outros usuários domésticos, industriais e empresariais.
Sustentar que a exigência deve ser mantida é o mesmo que dizer que o coitado do operador de telegrafo foi injustiçado pela criação do telefone,o fabricante de charrete foi prejudicado pela indústria automobilistica e assim por diante.
O Capitalismo é cruel, e vivemos em meio a essa guerra, uns ganham e outros perdem e nessa queda de braço, especificamente, o povo lucrou com menos uma imposição dentre inúmeras.
Lamento não agradar a todos mas nem Jesus conseguiu, imagina eu? continuar lendo

Isso tá cheirando aquela história de que alguém não cumpriu com o que foi acertado, e uma coisa é certa a história sempre se repete em grandes falcatruas. continuar lendo

O Estado não impôs ou interviu em nada, quem deu inicio á obrigatoriedade da substituição dos AB por ABC foi o mesmo personagem que instituiu a Inspeção Veicular, pura enganação e ladroagem. Depois da supressão da dita Inspeção, alguma ORG Ambientalista fez gestões para o retorno?, publicaram ou noticiaram algum aumento nos índices da poluição? Caso similar é a obrigatoriedade de se adquirir um galão de plástico, "fabricado" segundo as normas ABNT (o galão é de pessima qualidade usa 2 vezes e joga fora) e ao custo de R$ 10,00, o de 5 litros, para transporte de gasolina, etanol ou diesel, galão este que só é vendido em postos (lembram dos saquinhos?). O recuo deve-se ao fato que em 2016 teremos eleições, mas após irão achar um jeito de tungar o povo e tornar obrigatória alguma outra coisa para beneficiar a indústria ou comercio de algum parente ou amigo (Galão de água, tomadas e interruptores de luz, lampadas e outras mais). Estes são os nossos representantes!!!!!!!!! continuar lendo

Sr
Marcus Venicius Cera

"O Estado não impôs ou interviu em nada, quem deu inicio á obrigatoriedade da substituição dos AB por ABC foi o mesmo personagem que instituiu a Inspeção Veicular, pura enganação e ladroagem"

No seu próprio texto fica claro que sim, o estado impôs e interviu. Pois, embora cedendo a um grupo de interesse, somente o estado pode obrigar as pessoas a passarem por inspeção ou terem itens obrigatórios em seus veículos. Nenhuma ONG, empresa ou pessoa pode te obrigar a nada. continuar lendo

Pior é o seguinte, Odinei... do princípio do ano pra ca, uma galera comprou esse extintor, que tava acima do preço de mercado por conta da lei, na crença de que em breve seria obrigatório.

Depois de forçar a compra, dá pra devolver? Dá pra pegar o dinheiro de volta? Não foi falta de estudo, estavam apenas beneficiando empresas do setor. continuar lendo

O pior é que incita a população para a desobediência civil: qualquer outro equipamento ou medida que o Contran determinar, todos vão ficar parados esperando para ver se realmente a medida é válida. Ai no final do prazo todos correm para tentar se regularizar. Depois falam que o brasileiro deixa tudo para a última hora; é porque não tem confiança nos agentes públicos. No caso dos extintores de incêndio quem necessitava trocar e deixou para a ultima hora se deu bem: economizou dinheiro!!! continuar lendo

Esperto foi quem usou mortadela no lugar do extintor.!!!! kkkkkkk desculpa não aguentei!!!! continuar lendo

como opcional é válido, o resto é malandragem, isto é, fazer leis com interesse comercial, alguém deve ter ganho com isso. Isso é brasil, o país da corrupção. continuar lendo

Lembraram-se apenas dos interessados da iniciativa privada que ganham com a obrigatoriedade, esquecem-se, contudo, que o Estado arrecadou milhões senão bilhões em multas aplicadas por um preventivo absolutamente inútil que hoje o próprio CONTRAN confirma sua inutilidade, mas o dinheiro já foi no mensalão, roubão, assaltão, metrozão e outros ãos por aí. continuar lendo

Vou continuar usando de todo jeito. Já vi carro pegando fogo na rua e o dono, totalmente impossibilitado, não conseguia pegar o extintor. Quem ajudou foram aqueles que possuíam o extintor em seus carros. continuar lendo

Relativo, normalmente o fogo é na região do motor e para acessar terá que destravar e levantar o capô, isso com os dedos através da grade frontal, quem se habilita a queimar a mão, ou mais, para tentar "salvar" uma maquina? continuar lendo